Tempo e existência

06/10/2016 01:14

"O problema do tempo é o problema fundamental da existência humana. Não é uma coincidência que dois dos filósofo mais considerados da Europa contemporânea , Bergson e Heidegger, o colocaram no coração de sua filosofia. Para a filosofia da existência, o problema do tempo se coloca de outro modo, que para a filosofia matemática e naturalista. Ela vê nele o problema do destino do homem. Os conceitos elaborados pela filosofia matemática: infinidade potencial e atual, o infinito, o indefinido, o 'transfinito', etc..., não a interessam mais que indiretamente. O destino da existência humana se completa no tempo, está colocado sob o sinal do tempo. O realismo ingênuo se engana quando concebe o tempo como uma moldura onde ela (a existência humana) será limitada e na qual o tempo determinará as mudanças. De fato, não são as mudanças que são produzidas pelo tempo; é o tempo que é produzido pelas mudanças. O tempo existe porque existe a atividade, a ação criativa, a passagem do não-ser para o ser. Somente por causa desta atividade esta ação criativa é dividida, privada de sua integridade, não é estabelecida no eterno. O tempo resulta da mudança que se opera nas realidades, nos seres, nas existências, e não é a mudança que é condicionada pelo tempo. É por isso que ele pode ser ultrapassado. O tempo deposto, o tempo de nosso mundo, é a consequência da queda ocorrida no seio da existência. O tempo deposto é o produto da objetivação, de um estado onde tudo tudo se tornou universalmente objeto e estranho, ou seja, onde tudo se encontra acabado, desunido, e atado, acorrentado."

 

 

Nicolas Berdiaeff, Cinq méditations sur l'existence (Cinco meditações sobre a existência) - tradução e adaptação de Ricardo E. Rose  


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