Se exercitando na esteira hedonista

19/08/2016 13:11

"Mas não deixemos escapar a questão profunda. Existe a possibilidade de um "pessimismo fenomenológico"? O conceito pode ser definido como sendo a ideia de que a variedade de experiências fenomênicas geradas pelo cérebro humano não é um tesouro mas um peso. Na média, durante a vida, a comparação entre alegria e sofrimento pesa em favor do último em quase todos os seus portadores. De Buda a Schopenhauer, há uma longa tradição filosófica postulando, essencialmente, de que a vida não vale a pena ser vivida. Eu não vou repetir aqui o argumento dos pessimistas, mas deixe-me assinalar que uma das novas maneiras de olhar o universo físico e a evolução da consciência é com sendo um expansivo oceano de sofrimento e confusão, onde previamente não havia nenhum. Sim, é verdade que os modelos de identidade consciente (a mente consciente) foram os primeiros que trouxeram a experiência do prazer e da alegria para o universo físico - um universo onde fenômenos deste tipo não existiam antes. Mas também está se tornando evidente que a evolução psicológica nunca nos aprimorou para a felicidade constante; ao contrário, ela nos colocou numa esteira hedonista. Nós somos levados a procurar prazer e alegria, a evitar dor e depressão. A esteira hedonista é o motor que a natureza inventou para manter o organismo correndo. Podemos reconhecer sua estrutura em nós mesmos, mas nunca seremos capazes de escapar dela. Nós somos esta estrutura."  

 

Thomas Metzinger, O túnel do ego - A ciência da mente e o mito do eu (identidade) - "The Ego Tunne - The science of the mind and the myth of the self", traduzido e adaptado por Ricardo E. Rose

 

 


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