Populacho acompanha as fofocas

04/12/2017 22:24

"Na corte, o prazer era tido como um dever: o ócio era um serviço, e o trabalho, uma forma de degradação. Objetos eram aceitos na Corte conforme sua falta de utilidade. Rodas d' água e bombas hidráulicas serviam não para fazer funcionar moinhos, mas para as fontes do jardim de Versalhes. O mesmo aconteceu no palácio de Belvedere, de Viena, com bombas a vapor, que na Inglaterra seriam usadas para propulsionar não uma revolução estética, mas a Revolução Industrial. O que nos resta hoje de mais semelhante a essa classe aristocrática não são os milionários, mas as celebridades e os aspirantes a celebridade. Versalhes era como uma casa de reality show com mais de 10 mil participantes acomodados desconfortavelmente em cubículos tão malcheirosos quanto disputados. Não era da riqueza que se fazia a nobreza, mas de frequentar a si mesma e de ser conhecida por todos. Da base ao topo da soceidade, todos acompanhavam o espetáculo da Corte - os nobres viam tudo ao vivo, a burguesia se informava pela imprensa e o populacho acompanhava as fofocas."

 

Maurício Horta, Os Sete Pecados - Luxúria, como ela mudou a história do mundo


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