Outra vez o livre-arbítrio

14/03/2018 15:52

"O que é, então, um veto consciente: uma expressão inconsciente do livre-arbítrio ou o efeito de um juízo racional distinto de seus correlatos biológicos? Se o veto é antecipado por um potencial de preparação, então não exercemos nenhum poder sobre nossas ações; na melhor das hipóteses, podemos tomar ciência de que nossas funções executivas agem em lugar de nossas decisões. Nesse sentido, o fato de que um evento abaixo do patamar da consciência dê origem a uma ação e, ao mesmo tempo, à sua supressão, tem por consequência a negação do livre-arbítrio, do qual, ao contrário, descende a responsabilidade de nossas escolhas. De fato, se elas são determinadas por mecanismos cerebrais, é difícil concluir que o home é livre e responsável pela próprias ações e, portanto, nosso conceito de moral deveria ser totalmente questionado. 

Em contraposição, se o livre-arbítrio não se expressa no veto consciente, o veto representa, ainda assim, um sinal de deliberação, de poder residual sobre nosso comportamento. Nesse ponto estamos além da ideia positiva do livre-arbítrio, isto é, a possibilidade deliberada de cumprir uma ação. De fato, a antecipação neural, ao negar a origem decisória na intenção, exclui a liberdade como tal. Deriva daí uma noção negativa do livre-arbítrio, porque a vontade de executar movimento é antecipada e 'governada' por esquemas motores que precedem a consciência." 

 

Mauro Maldonato, psiquiatra italiano, Da mesma matéria que os sonhos - Sobre consciência, racionalidade e livre-arbítrio


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