Manipulação das massas (sobre Edward Bernays - 1891-1995)

18/10/2015 19:04

"Um detalhe significativo: seu juízo sobre a massa se opunha às visões ingênuas, para não dizer cândidas, evocadas há pouco. Diferentemente de James Surowiecki, ele não acreditava na inteligência natural das massas, muito pelo contrário. Em sua opinião a massa estava sempre disponível à manipulação de mentes determinadas. Tudo era uma questão de método e de propósito. Em ruptura com os slogans publicitários da época, que se dirigiam à racionalidade do consumidor, Bernays solicitava as pulsões irracionais, os desejos inconscientes, até mesmo as fantasias íntimas de cada pessoa. Para ele, por exemplo, a representação fálica de um cigarro ou de um cachorro-quente podia mostrar-se eficaz junto à clientela feminina. Manipular pulsões, mesmo que ocultas, dos consumidores era mais útil que contar com sua 'antecipações racionais'."

"É verdade que os benefícios políticos esperados dessa operação não eram negligenciáveis. A promoção do consumismo não servia apenas para fazer a economia girar. Fabricar consumidores em vez de cidadãos permitia colocar uma sociedade (relativamente) ao abrigo das paixões políticas e das reivindicações plebeias. Em outras palavras , as massas tornavam-se dóceis por meio do consumo. As teses de Bernays tinham tudo para agradar grandes sociedades que contrataram seus serviços. Para satisfazer os produtores de porcos, ele promoveu a moda dos ovos com bacon no café da manhã; para a empresa Procter & Gamble, ele tornou popular junto às crianças o sabão Ivory; em benefício do fabricante de caminhões Mack Truck, ele arruinou deliberadamente a imagem das ferrovias."

Jean-Claude Guillebaud, A Vida viva - Contra as novas dominações


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