Geração de frustração e inveja

21/03/2018 14:52

"Na Itália, na verdade, não tivemos que esperar por Latouche para ouvir Pasolini denunciar desesperadamente, desde o início dos anos 1970, a destruição capitalista e consumista dos modelos culturais (e existenciais), em que as classes menos abastadas podiam encontrar com felicidade formas de se "reconhecerem" e "realizarem". Nada poderia ser mais atual que uma denúncia semelhante, na verdade, especialmente se considerarmos que - nunca como hoje - os pobres têm à disposição exclusivamente modelos assintóticos e inatingíveis, que parecem deliberadamente concebidos para gerar sistematicamente frustração e inveja social (se você é um cozinheiro, precisa se tornar no mínimo um masterchef; se você desempenha uma profissão humilde, pelo menos, deve percebê-la como algo temporário e da qual você tem vergonha; nos seriados da moda para meninas as protagonistas são sempre aspirantes a artistas, ou super-heroínas, e os pobres não existem)."

 

Serge Latouche, economista e filósofo, em entrevista para o jornal L' Expresso, publicada em tradução no jornal IHU Online

 


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