Balzac e a produção industrial de literatura

13/01/2018 12:18

"Isso não destrói sua imagem, principalmente porque Balzac não fazia segredo de que, no seu caso, o material ocupava uma posição bem à frente do ideal. Ele nunca quis ser um autor cujo estômago ronca de fome, cuja ilusão de aconchego nasce apenas do cheiro de maçãs apodrecendo em uma gaveta, e que apesar dessa miséria coloca na papel obras que manterão seu brilhantismo durante séculos. O preço de se tornar artista não era a privação. Como seus protagonistas, ele se via primeiro como homem de negócios, como empresário. Ao contrário de César Birotteau, ele não aspirava à riqueza e ao prestígio social por meio de um huile cephalique - um óleo para ser massageado na cabeça -, mas pela fabricação quase industrial de literatura. É nisso que se esconde o segredo de sua modernidade perturbadora e de sua assombrosa atualidade."

 

Johannes Willms, Balzac


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