Acreditando em ilusões

13/01/2018 12:56

"Ou seja, para ele, as dívidas eram apenas aquelas correntes; os gastos são cobertos por entradas correspondentes. Até a morte Balzac não pagou as dívidas que tinha com a mãe. Ela tinha que se contentar com uns trocados e novas promessas, como as que ele formulou em janeiro de 1848 em Vierzchovnia, na Ucrânia, no castelo de Eveline, quando não conseguiu escrever uma linha sequer: 'Todas as minhas dívidas serão pagas com minha pena. Dessa maneira, apenas em 1850 poderei começar a construção de minha própria fortuna'. Essas eram ilusões nas quais ele supostamente acredita de verdade toda vez que as expressava. Sem se dar conta, Balzac tornava-se ele mesmo uma personagem de romance. Se ele tivesse escrito a própria biografia, seria a última pedra na construção inacabada da Comédia Humana. A vida de um boneco teimoso, de um equilibrista, que vive caindo, se levanta e volta a pisar na corda, para cair de novo. 'Você não imagina', ele escreveu a Eveline, 'a vida de coelho acuado que levei entre 1836 e 1846.'"

 

Johannes Willms, Balzac 


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