A noite, a Noite

30/10/2015 18:29

"Pode um escritor saber o exato instante em que sua obra está terminada? Não um romance, ou um livro, mas a obra de uma vida? Nada resta a escrever, e também não adiantaria. Primeiro falamos, depois falimos, ou falhamos. Para que escrever mais, se ninguém lê o que escreveu? E no entanto, de nada importa obter essas respostas. De que importa a completude de uma obra, se a noite iguala todos os escritores, todos os homens? E, se não a noite, a Noite."

"Talento? Não tenho nenhum. Escrevo, escrevi, tão lentamente, tão dolorosamente, dezesseis anos em um último livro, dezesseis anos imerso no obscuro universo das palavras e da línguas. Imaginação? Imaginação não é nada senão elaborar o recordado. Imaginação é memória. Não não pode haver alguém que o compreenda. Mas ao menos dará trabalho aos críticos por trezentos anos, se possível, e talvez algum leitor em algum tempo dedique toda a sua vida à obra de James Joyce. Ao leitor ideal, a insônia ideal."

 

Julián Fuks, História de litertura e cegueira (Borges, João Cabral e Joyce)


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