A ilusão do "eu"

02/03/2016 11:25

"Isto não quer dizer que o mundo realmente não existe. Ele existe, mas nossos cérebros evoluiram de modo a processar somente aqueles aspectos do mundo externo que são úteis para nós. Nós somente percebemos o que somos capazes de detectar através de nosso sistema nervoso."

"Isto é o que a maioria das pessoas quer dizer com ter livre arbítrio - a crença de que o comportamento humano é um expressão da escolha pessoal e não é determinado por forças físicas, destino ou Deus. Em outras palavras, existe um indivíduo no controle. No entanto, a neurociência nos ensina que estamos enganados e que o livre arbítrio também faz parte da ilusão do "eu" - não é o que parece. Pensamos que somos livres mas, de fato, não somos. Como tal, precisamos começar a repensar como utilizamos o conceito do livre arbítrio, ou melhor, a falta dele, como uma desculpa para nossos pensamentos e comportamentos."

"Assim, nosso cérebro nos protege da real natureza da situação. Talvez seja por isso que não vemos as ilusões cognitivas que criam o "eu". Dissonâncias cognitivas nos protegem de ruminar sobre objetivos não alcançados, inclinações positivas nos mantêm motivados, o livre arbítrio nos dá motivos para elogiar e culpar, tomadas de decisão nos dão a ilusão de controle. Sem essas ilusões cognitivas, não seriamos capazes de funcionar porque seriamos subjugados pela real complexidade dos processos ocultos e mecanismos que nos controlam. E isso, afinal, é uma boa coisa."

 

Bruce Hood, The Self illusion (A ilusão do "eu", tradução de Ricardo E. Rose)


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